Tecnologia e saúde: Conheça os avanços da ortopedia

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 Por Jullimária Dutra e Mayra Rodrigues

A medicina vem acompanhando os avanços tecnológicos em todos as suas especialidades. Um deles é a aliança entre tecnologia e ortopedia, que tem sido fundamental para melhorar a saúde dos pacientes.  Essa evolução é caracterizada por novos procedimentos para análise do movimento humano,  por novas técnicas de medição e melhoria da qualidade dos implantes protéticos. Assim como o processamento de dados e até mesmo utilização de biomateriais na medicina, sem desprezar os tratamentos complementares e os custos da modernização.

Com os avanços dos materiais, das técnicas cirúrgicas e do conhecimento o que há é uma melhora de incremento na capacidade cirúrgica dos médicos. A área da saúde vivencia uma mudança na forma como os cuidados estão sendo entregues. Portanto, que aspectos são observados na ortopedia?

Diante de algumas dúvidas, a equipe do Coros Saúde entrevistou o médico ortopedista e traumatologista, Dr. Adilio Bernardes, de Sorocaba, São Paulo, para explicar sobre os avanços da área.

Existem avanços nas pesquisas do uso do tântalo na ortopedia? Se sim, em que situações ele tem sido empregado?

A melhoria da qualidade dos implantes protéticos fez com que houvesse um crescimento no número de artroplastias (próteses) de quadril e joelho. A maior expectativa de vida da população tornou mais comum a necessidade de revisar esses procedimentos que tendem ao desgaste e soltura ao longo do tempo. Muitas vezes, nesse novo procedimento, existe perda óssea significativa e necessidade de preenchimento com outro material.

Dentre os materiais o Tântalo trabecular, um metal biocompatível, resistente, poroso e com alto potencial de fixação biológica, funcionando como um substrato para o crescimento ósseo, tornou-se um importante aliado no preenchimento de grande variedade desses defeitos.

Quais as diferenças e vantagens entre a prótese de cerâmica e o titânio?

Os componentes protéticos em cerâmica, altamente difundidos nas próteses de quadril, mostraram ao longo do tempo uma capacidade durabilidade maior quando comparados a determinados metais e o polietileno, um polímero. Isso possibilitou o uso de próteses em pacientes mais jovens com a diminuição da necessidade de revisões precoces desses implantes.

Quais os tratamentos complementares mais utilizados na ortopedia?

O tratamento complementar mais utilizado na ortopedia é a reabilitação muscular. Muitas das lesões e patologias decorrem de um desbalanço da musculatura, assim como atividades físicas praticadas incorretamente. Nesse tratamento, a fisioterapia é muito importante como primeiro passo até permitir que o paciente se encontre apto a dar seguimento em alguma atividade física bem orientada, na tentativa de evitar o retorno da patologia.

Atualmente, 90% das novas técnicas e avanços em cirurgia ortopédica vêm dos EUA. Por outro lado, na Europa, houve a criação e o desenvolvimento de um protocolo internacional para a classificação e princípios de tratamento de fraturas, o GRUPO AO, que é seguido por ortopedistas do mundo todo. No Brasil quais os principais avanços podemos falar na área?

O Brasil apresenta grande desenvolvimento na medicina em geral, mas muitas vezes, principalmente na ortopedia, não possuímos condições financeiras de dispor dos melhores materiais ou métodos de pesquisas. Mesmo assim nos grandes centros de estudos existem avanços em determinadas áreas, dentre as principais e mais difíceis, podemos citar os dispositivos para substituição e reparo da cartilagem, um tecido extremamente difícil de manejo.

As artroscopias tem sido bastante utilizadas. Porém em que situações ela é recomendada e se existe alguma contraindicação?

A artroscopia, um procedimento com uso de vídeo e pequenos instrumentos possibilitou a realização de cirurgias com menor morbidade e consequente recuperação mais rápida. A maior difusão está na cirurgia do joelho para reparos meniscais e reconstruções ligamentares com pequenas incisões, mas está disponível tantas outras articulações como ombro, quadril, tornozelo e punho.

Existe a nível de Brasil algum tratamento com células tronco no âmbito ortopédico? Se sim, quais? E esse será o futuro para lesões irreversíveis e/ou perdas de membros?

Existem diversos usos dessas células indiferenciadas na ortopedia, desde lesões cartilaginosas em patologias como osteoartrose, osteocondrite dissecante, condromalácia patelar, lesões ósseas como em pseudartroses (falha na consolidação de fraturas) ou em perdas ósseas, ou em lesões nervosas como em trauma raquimedular.

O desenvolvimento de pesquisas com células-tronco no Brasil teve início em 2001, com a criação do Instituto Milênio de Bioengenharia Tecidual, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A partir de então, diversos grupos de pesquisa, equipes de universidades, hospitais públicos e privados – como a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto Nacional de Cardiologia, o Instituto Nacional do Câncer e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia – congregam esforços para o desenvolvimento do que atualmente é nomeado medicina regenerativa

O estudo das células-tronco é provavelmente o campo de estudo mais promissor de toda a medicina que, em um espaço curto de tempo, irá revolucionar todas as especialidades médicas, tanto clínicas quanto cirúrgicas, solucionando patologias hoje de difícil abordagem.

Na Alemanha se estuda material biodegradável como implante. No Brasil há algum caso ou estudo parecido?

O termo mais adequado seria biocompatibilidade, ou seja, materiais que quando implantados não apresentem reações inflamatórias de rejeição por parte do organismo. Diversos são os estudos e avanços na utilização de biomateriais na medicina. Tais componentes podem ser inertes, mas não absorvidos pelo organismo, como os implantes metálicos. Também existem materiais que além de serem inertes, ao longo do tempo são absorvidos pelo organismo e teoricamente passam a integrá-lo, como alguns parafusos e âncoras ósseas.

O Brasil apresenta diversos núcleos de pesquisas para criação desses dispositivos, dentre eles podemos citar estudos para confecção de meniscos para o joelho.